Teoria

Um texto prescritivo ou injuntivo é aquele que interfere no comportamento humano, induzindo a fazer alguma coisa.

São exemplos de textos prescritivos ou injuntivos a receita culinária, a receita médica, o manual de instrução, a bula de remédio, a propaganda, etc.

As características estruturais apresentam duas coisas importantes: o uso do imperativo e do infinitivo, além da interferência ou ordem dada.

Uma propaganda conta ainda com a imagem, o público alvo, a tendência consumista nesta sociedade do ter e pode usa de uma linguagem figurada para interferir, criativa, inusitada, acabando por atrair o consumidor.

Na prática

Observe uma receita médica, ela prescreve, por exemplo, a ordem que pode ser dada no infinitivo ” Tomar dois comprimidos de seis em seis horas” ou no imperativo “Tome dois comprimidos de duas em duas horas.!

Veja uma receita culinária, sempre estruturada em dois tópicos importantes: ingredientes e modo de fazer. Perceba a ordem: ” Bata dua claras em neve”, ou ainda “Bater doze claras em neve!”

Um manual de instrução deve ser seguido à risca, sob pena de estragar o aparelho recém adquirido: Mude a chave seletora deste aparelho de som para 127v; não mudar, é ter problemas.

Perceba a ordem na propaganda da coca cola ” Beba coca cola.” O público, cuja lavagem cerebral já foi feita, nem usa da escolha entre outros refrigerantes e segue a ordem sem perceber.  Essa lavagem cerebral a que me refiro é estabelecida com criatividade, por exemplo, “Bis! Impossível comer um só.”  E as pessoas seguem fielmente o que está subliminarmente embutido: às vezes aproveitam até os ditados populares, como nesta publicidade do mesmo biscoito “Um é pouco, dois é pouco, três é pouco”.  O público alvo envolvido nem percebe que realmente está sendo manipulado.

Concluindo

Um texto prescritivo pode ser percebido no nosso dia a dia, pois está contextualizado,  faz parte de nosssas experiências enquanto seres que vivem  em sociedade de consumo. Estruturam-se na “ordem” dada, velada ou diretamente e com uma linguagem precisa, enfeitada por imagens e sons, atua de forma a manipular para o consumismo desenfreado e doentio.

Análise e exemplificação

Vi uma propaganda do Senai, onde um rapaz fazia uma expressão de “bico”, como se fosse chorar e, ao lado da foto, havia uma relação extensa de cursos oferecidos por esta conceituada entidade; porém o mais importante, era a chamada em letras garrafais: ‘ OU VOCÊ FAZ SENAI OU VAI VIVER DE BICO’ , simplesmente genial a ambiguidade existente na palavra “bico”, que tanto poderia ser entendida como “um servicinho qualquer só para ganhar o que comer”, como poderia ser entendida como ” pena, sofrimento, vontade de chorar por não conseguir um emprego digno.”  Realmente fica claro que o objetivo do texto prescritivo e “fazer cabeça”, persuadir, convencer, etc.

Quem desconhece a guerra entre as cervejarias Brhama, Antártica, Skol e outras? A concorrência é grande, logo personalidades brasileiras são pagas para divulgar: Zeca Pagodinho, Juliana Paes, etc.  O duplo sentido sempre está presente para suavizar o ataque ao público alvo. Lembram do “Bar da boa”?  A palavra “boa” tanto poderia significar a qualidade da cerveja como a forma atraente e sensual da apresentadora.

Crítica

Este que vos escreve sofreu o massacre das companhias de cigarro na adolescência. As marcas eram muitas e os slogans também:  ” O homem que sabe o que quer fuma miníster.”, ou ” Aminoria inteligente fuma galaxie.”, ou ainda ” Fume continental, a preferência nacional!”.  Não foi só as empresas produtoras de cigarros que enriqueceram, foram também os donos de televisões, rádios e revistas; até mesmo o governo, recebendo os impostos. Em decorrência de uma propaganda ou publicidade massacrante e manipuladora, hoje os hospitais públicos estão sobrecarregados  por doentes usuários de drogas lícitas.

Não será verdadeiro, se compararmos a propaganda do cigarro atualmente proibida, com a propaganda do álcool, atualmente permitida, que venha acontecer a mesma coisa ou até pior. Com o uso do cigarro, o indivíduo se autodestruía, com  o uso do álcool além de estruir a si mesmo, vai interferir na família, ou estou errado?

Como vemos, um texto prescritivo usa de todos os meios possíveis para mudar o nosso comportamento, dizer o que devemos ou não fazer, usar, vestir, comer, beber, comprar, etc.